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"O
senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo
sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo
de raiz? Não se tem onde se acostumar os olhos, toda firmeza
se dissolve. Isto é assim. Desde o raiar da aurora, o sertão
tonteia."
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas |
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"...vieram
a Porto Seguro índios dos que vivem junto de um grande rio, além
do qual dizem que há uma serra junto dele que resplandece muito
e que é muito amarela..." Carta de Felippe Guilhem para
o Rei Dom João III, 20.jul.1550 "Neste ermo passamos uma serra mui grande, que corre do norte para o meio-dia, e nela achamos rochas mui altas de pedra mármore" Padre João de Aspilcueta Navarro, em carta de 1555 |
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Viajar
por um lugar desconhecido. Conhecer uma cidade chegando lá não
de carro, mas de bicicleta. Marcar a passagem de uma data importante.
Tudo isto foi o
que nos levou a fazer uma viagem de bicicleta por 500km de encostas
e vertentes da Serra Geral, no Norte de Minas (região destacada
no mapa).
Hoje é mais conhecida como Serra do Espinhaço, nome lhe dado pelo Barão Eschwege. Mas desde o tempo da colonização pelos bandeirantes e garimpeiros atrás de ouro e diamante, no séc. XVIII, é chamada de Serra Geral. Ou Serra Resplandecente. Sim, a famosa serra procurada pelo bandeirante Fernão Dias Pais, a serra que brilhava ouro e esmeraldas!! Nós vimos a serra resplandecer ao sol! Durante 2 anos, descobrimos coisas incríveis sobre a região, como múmias na Matriz de Itacambira, plantas carnívoras em Grão Mogol, inscrições rupestres em Botumirim e "o Talhado", uma passagem na Serra pelo leito do Rio Mosquito, usada por tropeiros no tempo em que ainda não haviam estradas na região. O sonho vinha adormecido, mas ao fazer 40 anos, Denir decidiu fazer a viagem para marcar a data em que se encontrava "no portal do meio do caminho da vida". Os irmãos todos toparam a idéia e transformamos a viagem também numa homenagem a nossos avós Isalino e Elvira, que em 2007 completaram 75 anos de casamento e 95 anos de vida. A viagem, marcada para julho de 2005, foi adiada para dezembro por causa do nascimento do Luis Felipe (filho do Denir) e da Cecília (filha do Ely). Em outubro, treinando para a viagem, Denir cai de bicicleta e quebra o braço. Resultado: viagem novamente adiada, para julho de 2006. Na última hora o Avay Jr. e toda família avisam que não poderiam ir. Apesar da decepção, decidimos manter a data e a viagem. Com isto, do grupo inicial ficamos somente nós três, Denir, Ely René e Cláudio Amaury. A viagem ficou mais simples, mas com certeza menos alegre e muvucada se todo mundo tivesse ido. Viajar de bicicleta requer um longo processo de planejamento e treino. Cada um de nós comprou bicicletas novas e deu nomes a elas, uma velha tradição familiar. A maior preocupação foi com bagageiros, alforjes e bagagem. Fizemos uma lista de coisas para cicloviagem. Alforjes compramos na Arara Una, ótimos!! Por dias e meses estudamos mapas, cartas topográficas, até chegarmos ao melhor roteiro de quilometragem e paradas. Três meses antes da viagem descobrimos o Projeto Confluence e, para nossa alegria, vimos que havia uma confluência não visitada a 30km de Taiobeiras, nosso destino final. Para coroar a cicloviagem, incluímos a visita à confluência 16°S42°W como etapa adicional e desafio final da viagem. Tudo pronto pra partir? Toda viagem é também uma viagem para dentro. Vamos!! |
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Baixe
os arquivos com o trajeto* da viagem: |
Tabela
com as coordenadas geográficas das cidades visitadas. Mapa rodoviário de Minas Gerais |
As
informações históricas foram recolhidas em enciclopédias,
nas páginas internet referenciadas, e nos livros: |
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